sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O Cidadão Atual e o Medo.

A minha cidade passou, ultimamente, por dois episódios de uma desenfreada onda de medo. O que cientificamente pode ser diagnosticado como: Histeria Coletiva.

O primeiro episódio se deu no mês de Agosto do corrente ano. Naquela feita a gripe suína estava na moda e iria acontecer na cidade o Festival de Inverno Bahia. Então o povo somou esses dois elementos e criou um terror surreal: a epidemia da gripe suína iria invadir a cidade pois muitos turistas do Sul do país trariam consigo o temível vírus.

Houve, então, uma histeria, as pessoas só comentavam isso. Todos estavam com medo da gripe suína. Foi um rebuliço incrível. Aquela reação da população é propícia para uma análise sociológica acerca do cidadão contemporâneo e o medo. Na sociedade atual o ser humano vive rodeado de agentes ameaçadores do mais variados gêneros. Criminosos, Fenômenos naturais, doenças e até o acaso, todos eles impõem terror trazendo consigo um sentimento enorme de insegurança e impotência, fazendo com que o cidadão atual seja um medroso por excelência.

O Segundo episódio de histeria coletiva do ano de 2009 que a cidade de Vitória da Conquista passou se deu no mês de Novembro, este começou com o boato de que um estrupador de uma cidade visinha, Itambé-BA, estaria atuando em Conquista - esse é o apelido carinhoso pelo qual nós chamamos a nossa cidade. O que a cidade viu a seguir foi uma rídicula onda de medo. Em todos os lugares não havia outro tema nas conversas, tudo girava em torno do estrupador.

Os depoimentos sobre as aparições e atuações do estrupador eram incoerentes. Pra começar eram relatos totalmente fora da realidade, pois, desmentia uma das leis da física: aquela que diz que um mesmo corpo não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo. Pode-se deduzir, portanto, ou ele tinha o dom do espaço-continuum ou os relatos eram um monte de mentiras.

É espantoso como as pessoas caiam facilmente nos papos dos fomentadores do medo. As incoerências eram gritantes, não havia lógica nenhuma nos depoimentos, era um exagero atrás do outro e mesmo assim o povo acreditava e ficava amedrontado.

Esses dois casos são provas consistentes que o cidadão atual é inseguro e muito suscetível ao medo. Qualquer especulação ou rumor faz com que o homem de hoje mergulhe no terror de tal forma que ele sequer questiona a veracidade e coerência da informação que lhe é passada.

3 comentários:

  1. Olá Aurum!
    Cara, é incrivel como o caso do estuprador, relatado por você, ainda hoje me deixa profundamente confuso pois não sei se este realmente existiu ou se não foi um simples caso de histeria coletiva ( que, no fundo, podemos comparar com uma lenda urbana ).
    Mas, enfim, é bom termos um pouco de cuidado pois os antigos já diziam: "Onde há fumaça há fogo"
    Parabéns pelas postagens e continue sempre compartilhando conosco o seu enfervescente caldeirão de idéias!

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  2. Sim, cara é o seguinte: pelo o que eu soube o cara - o tal estrupador, fugiu de Itambé e foi pra São Paulo, me contaram que ele sequer pisou os pés em conquista, parece que tudo foi uma fofoca que tomou proporções gigantescas...

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